Deutsch in aller Welt      
  Facebook   Unsere / Nuestros / Our
Websites 
  Newsletter
Peru-Spiegel-Mail 
 
Loading
 

CAAL

Oxapampa 2017

Blumenau 2016

Joinville 2015

Nova Petrópolis 2014

São Paulo 2013

Buenos Aires 2012

Frutillar 2011

Joinville 2010

Pozuzo 2009

Juiz de Fora 2008

Tovar 2007

Entre Ríos 2006

Blumenau 2005

Santiago 2004

Montevideo 2003

«Deutsche» Internetseiten

Afrika

Asien

Australien

Europa

Lateinamerika

Nordamerika

Actualidades

Aktuelles

Für Deutschsprachige, deren Nachfahren und Vereinigungen

Impressum

 

 

 

CAAL 2008 Juiz de Fora

Sechstes Treffen der deutschsprachigen Gemeinschaften Lateinamerikas

Sexto encuentro de las comunidades de habla alemana de América Latina

A cultura alemã no dia-a-dia dos brasileiros

Quando em 22 de abril de 1500 os Portugueses chegaram ao Brasil, aqui viviam apenas silvícolas, que os europeus passaram a denominar «Índíos». A «CULTURA» desses nativos era literalmente diferente da dos «descobridores» recém chegados. Enquanto os Portugueses eram navegadores e mercantilistas, os aborígenes eram caçadores e viviam, em liberdade plena, nas selvas. Além da caça e pesca, alimentavam-se de frutas do mato e de alguns produtos agrícolas, que cultivavam. Não eram acostumados com trabalhos metódicos e nem se deixavam escravizar ...

Assim tendo sido, os «colonizadores» foram à África; donde trouxeram negros que aqui tiveram de trabalhar como escravos. E a Escravidão Negra durou por mais de três séculos; até 13 de maio de 1888, quando a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea. A CULTURA dos africanos também era radicalmente diferente da dos Europeus ...

esta forma, o «progresso» aqui no Brasil era lento. A agricultura canavieira, a extração do PAU-BRASIL, de PEDRAS PRECIOSAS, do OURO, eram as principais atividades.

No campo – (o Brasil que já nascera dividido em «Capitanias Hereditárias» e depois as «Sesmarias») – as grandes propriedades rurais, raiz e origem do «LATIFÚNDIO», lá mandavam os «GRANDES SENHORES, a ELITE da época», enquanto o trabalho era executado por escravos, que nem direito à ESCOLA tinham ...

Àquela época, «OS FILHOS DA ‹ELITE BRASILEIRA› estudavam na Europa», notadamente na França e na Inglaterra. E assim também aprenderam a «PENSAR COMO FRANÇA E INGLATERRA ...!» (E por tabelinha, também aprenderam a não ver com bons olhos a Itália e a Alemanha (Prússia).

Em 1808, porém – fugindo dos exércitos napoleônicos – a Família Real Portuguesa, temendo o pior, veio ao Brasil, estabelecendo-se no Rio de Janeiro. Entre os «recémchegados» havia muitos jovens em «idáde casamenteira». Entre parentes não podiam casar. E aqui no RIO, havia quase só ÍNDIOS e NEGROS ...! De um modo geral, a cidade deixava muito a desejar ...

Foi então que o Novo Governo apelou à Imigração de Colonos Europeus, que não podiam ser de países, que já tivessem colônias em continente americano. (Portugal, França, Espanha, Holanda e Inglaterra estavam descartados.) Apelaram para «Colonos Alemães», que deveriam «Branquear a Raça». Alemães e Suíços-Alemães formaram o primeiro contingente de imigrantes, que desembarcou no Rio de Janeiro.

Bem logo passaram a se destacar pelo seu trabalho organizado, metódico e ordeiro, na «Nova Pátria». E impressionaram muito bem os Governantes. Os «namoros e casamentos» passaram a acontecer. Até D. PEDRO I – em primeiras núpcias – desposou uma soberana da Realeza Austríaca, Maria Leopoldina von Habsburg. (En segundas núpcias, uma vez mais recorreu à Nobreza Austríaca, desposando Amália von Leuchtenberg ...) «São LEOPOLDO é uma homenagem à Imperatriz Maria LEOPOLDINA».

Se os COLONOS ALEMÃES, no Rio de Janeiro, impressionaram muito bem às Autoridades Imperiais – e interessados em «ocupar e guarnecer o sul do país» – mais uma vez recorreram a Imigrantes Alemães – «COLONOS E SOLDADOS» – para virem ao sul, a fim de: a) guarnecer fronteiras, b) produzir alimentos, c) fundar cidades. Muitos desses soldados formaram a «Guarda Pessoal do Imperador».

Em 25 de Julho de 1824, desembarcaram os primeiros Imigrantes Alemães em São Leopoldo. Pouco tempo depois, outros fixaram-se em São Pedro de Alcântara, perto de Florianópolis, Santa Catarina. Foi em São Leopoldo que oficialmente iniciou a História da Imigração Alemã no Brasil.

Ainda é interessante mencionar que – ao longo de alguns séculos – a «PRÚSSIA» abrigava em suas fronteiras «A NATA INTELECTUAL E PENSANTE DO MUNDO ...!» Fugidos das perseguições religiosas, encontravam abrigo na PRÚSSIA, que era um país mais liberal.

Com a «Unificação da Alemanha, sob Otto von Bismark, em 1871», passou-se a dar especial atenção e ênfase à EDUCAÇÃO, CULTURA, PESQUISA e TECNOLOGIA naquele país. Os nossos antepassados – mesmo tendo sido os «BÓIAS FRIAS, SEM TERRA e SEM TETO» daquela época, vítimas que foram da Revolução Industrial ...» – trouxeram uma CULTURA, que – se não era MUITO SUPERIOR à daqui – pelo menos «ERA MUIT0 DIFERENTE ...!»

Segundo os Historiadores, os Imigrantes Alemães eram os melhor organizados, e, em cada grupo, que deixava a Alemanha, nunca podia faltar o «Herr Schulmeister» (Senhor Mestre-Escola), ou a «Frau Schulmeisterin» (Senhora Mestra-Escola). Os Imigrantes Italianos, anos mais tarde, nunca dispensavam a companhia dum «Padre ...!»

Os Imigrantes Alemães prezavam muito a ESCOLA e os DOCENTES, que aqui existiam efetivamente pouquíssimas, nos «centros maiores da época ...!» (Escravos negros e índios não precisavam de ESCOLA ...) Então os PIONEIROS puseram mãos à obra e, às próprias custas, com enormes sacrifícios, providenciaram ESCOLAS para os seus filhos, bem como os docentes. Dá para imaginar «como eram aquelas ESCOLAS ...!» E foi com estes Imigrantes, que surgiram as «ESCOLAS COMUNITÁRIAS» (Gemeindeschulen) e as «ESCOLAS PAROQUIAIS» (as ‹Pfarrschulen›).

Acredito que foi no SETOR EDUCACIONAL – «ESCOLAS» – que os Imigrantes Alemães deram a sua grande colaboração – talvez a mais notável de todas – para a EDIFICAÇÃO DO BRASIL ...! Apesar de todos os contra-tempos, adversidades e perseguições – as mais absurdas e inomináveis – movidas contra os NIPO, ÍTALO e TEUTO-BRASILEIROS durante e após a II Guerra Mundial, esta gente aqui permaneceu e continuou apostando no BRASIL. E apesar do «Genocídio Cultural» aqui praticado, em pleno século XX, hoje – «dos 46 municípios mais alfabetizados do Brasil (com menos de 4% de analfabetos), a grande maioria deles é de Colonização Alemã ...!» O mais alfabetizado de todos é São João do Oeste, localizado no extremo-oeste de Santa Catarina, que também é o município mais bilíngüe do Brasil (97% dos habitantes de São João do Oeste são bilíngües ...)

É deveras interessante salientar que, UMA DAS CONDIÇÕES PARA QUE OS IMIGRANTES ALEMÃES VIESSEM AO BRASIL, ERA A DE QUE EM NENHUM LUGAR ONDE ESTES FOSSEM RESIDIR E TRABALHAR, HOUVESSE ESCRAVOS ...! Muitos imigrantes também tiveram os seus «NEGROS», mas como pessoas livres, é claro! Nunca como escravos. É infmmdada e ilógica aquela informação de que o Governo Imperial teria firmado uma LEI, segundo a qual os IMIGRANTES não poderiam ter escravos. Afinal, só 64 anos após a vinda daqueles PIONEIROS a escravidão foi extinta no Brasil. Observe-se e considere-se este detalhe importante: «Os Alemães não admitiam a escravidão, nem admitiam ter escravos ...!»

Mas se a ESCOLA (Schule) era tão importante, bem como os(as) PROFESSORES(AS) = o «HERR SCHULMEISTER» e a «FRAU SCHULMEISTERIN» eram muito valorizados, não é difícil de entender que os diferentes setores da atividade cultural também florescessem. Assim, o TRABALHO METÓDICO E ORGANIZADO, as CASAS ENXAIMEL (= Fachwerkhãuser), que hoje são atrativos turísticos em muitas regiões brasileiras; as casas com cozinhas grandes; casas com flores nas sacadas das janelas; jardins em frente as casas; hortas com variedades de hortaliças; pomares com variedades de árvores frutíferas; construções adequadas para guardar produtos colhidos; cercados para os animais, «próximos às moradias ...»

No campo sócio-cultural, notamos: «AS SOCIEDADES ORGANIZADAS, os CLUBES DE GINÃSTICA e de TIRO; o apego às ESCOLAS, à ALFABETIZAÇÃO, às BIBLIOTECAS. As COOPERATIYAS, a valorização e a UNIÃO DA FAMÍLIA, a SOLIDARIEDADE ENTRE AS PESSOAS, a «FÉ CRISTû (A vinda de Cristãos não Católicos, mas Evangélicos ...)

Também foram eles, que trouxeram ao Brasil o CANTO CORAL, a MÚSICA ALEGRE (Bandinhas). Os Bailes de RAINHA e de REI, o KERB e outras festas populares. Mais recentemente também surgiram as «OKTOBERFEST». (A primeira OKTOBERFEST comemorada no Brasil, foi na década de 70, em Linha Becker, Itapiranga, Santa Catarina.)

O enfeitado PINHEIRINHO DE NATAL (Weihnachtsbaum), o PRESÉPIO e a COROA DE ADVENTO, as BOLACHAS PINTADAS, o «Weihnachtsmann» e o «Christkind» igualmente são caraterísticos na Cultura Alemã. Os ninhos feitos com flores, onde o «Coelhinho da Páscoa» colócará os ovos pintados, também têm com eles as suas origens ...

Na CULINÃRIA – entre outros tantos – trouxeram: a CUCA, a LNGÜIÇA (Bockwurst), o WAFFEL, a TORTA, as GELÉIAS DE FRUTAS, as FRUTAS CRISTALIZADAS (pomeranos); o QUEIJO-DE-PORCO, as MORCELAS (morcilhas), o SALAME COZIDO (Spritzwurst), o CHUCRUTE (Sauerkraut) – a alface temperada doce ... A KÄSSCHMIER e o «STINKKÄSE ...!» No «Churrasco Gaúcho» = ESPETO CORRIDO, ou RODÍSIO – a lingüicinha é a contribuição dos Alemães; o GALETO, dos Italianos.

Os Alemães também trouxeram o JOGO DO BOLÃO, o BOLÃOZINHO, o ATLETISMO, diversas modalidades esportivas com BOLA, NATAÇÃO, muitos tipos de CARTEADOS, o AREMESSO DA LANÇA e outras mais.

Os Grupos Folclóricos, que hoje se multiplicam pelo Brasil afora, também constituem uma característica daquela CULTURA. Aliás, a própria palavra «FOLCLORE» tem sua origem na Língua Alemã: «VOLKSLEHRE», que significa: «CONHECIMENTO, CULTURA POPULAR».

Já a tradicional «Pünktlichkeit» (Pontualidade) e o caraterístico «Wort ist Wort» (Palavra dada é cumprida a qualquer custo ...) estão desbotando cá entre nós ...

Entre os tantos aspectos duma CULTURA, o mais importante de todos é inquestionávelmente a «LÍNGUA», pois é através dela que tudo nos é repassado. Alguém dirá: «Ah, e as TRADUÇÕES ...!?» É claro que as traduções são importantes, mas por mais bem feita uma tradução, ela nunca diz exatamente aquilo, que se diz no original. Toda LÍNGUA tem as suas características culturais e particularidades, que nas traduções nunca ficam com o mesmo SABOR ORIGINAL. Pode-se traduzir a IMAGEM, mas nunca o COLDRIDO ...!

E para quem for pesquisar a fundo a HISTÓRIA DA IMIGRAÇÃO ALEMÃ no Brasil, precisará, obrigatoriamente, se valer da Língua Alemã, pois foi nela que tudo inicialmente foi registrado. Aqui também é importante lembrar o que disse o Revmo. Pe. Aldino da Rosa – um cidadão negro – Pároco em Pérola do Oeste, Paraná, Brasil: «A Língua Alemã é muito rica em CULTURA, e a CULTURA é uma RIQUEZA, que não se deve perder ...! Os descendentes de Alemães devem se orgulhar dessa CULTURA, que herdaram dos seus antepassados».

Já o renomado jornalista gaúcho, Flávio Alcaraz Gomes, disse e escreveu certa vez, com muita propriedade: «Se não tivesse havido aquela estúpida perseguição aos Teuto e Ítalo-Brasileiros, nos tempos da II Guerra Mundial – um verdadeiro GENOCÍDIO CULTURAL – o sul do Brasil poderia hoje ser oficialmente ‹Tri-Lingüe› ...!» E para quem sabe da importância do ‹PLURILINGÜISMO NO MUNDO DE HOJE›, entende o quanto os brasileiros estão perdendo com isto, ou por outras: o quando estão DEIXAND0 DE GANHAR ...!

Mas as contribuições dos alemães vão adiente. (A cerveja, o Bitter, o chopp, o Steinhäger e outros tantos também fazem parte ...) No dia-a-dia nós nos deparamos com MARCAS RENOMADAS, que – mesmo de origem alemã – designam produtos brasileiros: Vejamos alguns: «RENNER», «KILLING», «HERlNG», «KAISER», «MEYER», «HERMANN , «LINDNER», KEPLER-WEBER», «HORN», «FISCHER», «MARQUART», «KAPPESBERG», «NEUGEBAUER», «BERGER», «BAUER», LOGEMANN», «GERDAU», «PFÜTZENREITER», «ROTERMUND», «SCHNEIDER», «VOGEL», «DREHER» etc.

O mais importante de tudo, porém, são as PESSOAS – as «HUMANAS CRlATURAS ...!» Apesar de todas as adversidades e sacrifícios dos primeiros tempos – e para muitos até hoje ... – tivemos e continuamos tendo descendentes de lmigrantes Alemães em todos os segmentos da Sociedade Brasileira – desde o mais humilde trabalhador braçal, até a Presidência da República, que já foi ocupada por um filho de Imigrantes: ERNESTO GEISEL. E todos se orgulham do Brasil e o Brasil se orgulha deles. (Em Santa Catarina, tivemos NOVE (9) Governadores, descendentes de alemães: Lauro Müller, Filipe Schmidt, Adolfo Konder, lrineu Bornhausen, Heriberto Hülse, Jorge Konder Bornhausen, Antônio Carlos Konder Reis, Casildo João Maldaner e Wilson Pedro Kleinübing.

É muito comum encontrarmos no sul do Brasil – e noutras regiões também – ruas, praças, escolas, rodovias com nomes alemães, sem falar em MUNICÍPIOS. E quanto aos topônimos – apesar da «limpeza» efetuada nos tempos do ‹Estado Novo›, em Santa Catarina, são 14 estes municípios: Agrolândia, Alfredo Wagner, Blumenau, Dona Emma, Fraiburgo, Lauro Müller, Luzerna, Petrolândia, Pomerode, Romelândia, São Ludgero, Schröder, «Treze Tílias» (= Dreizehnlinden) e Witmarsum.

No Rio Grande do Sul são 12: Alpestre, Condor, Frederico Westphalen, Morro Reuter, Nova Harz, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Selbach, Teutônia, Tio Hugo, Vitor Greef e Westfália.

No Paraná temos: Cafelândia do Oeste, Clevelândia, Matelândia, Mercedes, Ramilândia, Rolândia, Itaipulândia. Em outros Estados também há municípios com nomes alemães, mas são raros. E nunca se pode esquecer: «milhares de sobrenomes alemães identificam – CIDADÃOS e CIDADÃS do Brasil. E é correto e justo – una Questão de Honra e de Identidade Cultural, ‹ESCREVER E PRONUNCIAR CORRETAMENTE estes nomes› ...».

Prof. Altair Reinehr

Lingüista e Membro da Associação Nacional de Pesquisadores da História das Commidades Teuto-Brasileiras

Rua Santa Catarina, 120, 89874-000, Maravilha-SC, Brasil

reinehr-prof.altair@hotmail.com